Rapidamente Lisarb voava ao encontro do corpo de André que ainda estava deitado no chão do Box do banheiro do pré-vestibular que dava aula. Ficara apenas um pouco mais de uma hora "fora de seu corpo", mas isso parecia que não era muito tempo. Lisarb Batia os dentes parecia que tremia de frio em pleno sol de meio dia de verão do Rio de Janeiro.
Chegando ao edifício aonde o curso se instalava. Lisarb fechou os olhos e num mergulho profundo atravessou o teto, mas sem quebrá-lo, transpassou paredes e pisos até chegar ao corpo do André. No rápido choque entre os dois Lisarb sumiu.
Aos poucos André acordava, congelando, estava há uma hora e meia, confirmadas no relógio, deitado naquele chão frio que parecia estar molhado. O servente da Escola lavava o banheiro e empurrava a água com o produto de limpeza distraidamente por de baixo dos boxes.
Em um pulo ele se levantou. Tentou secar o rosto e sua roupa. E saiu correndo para sua casa. Estava atrasado para o almoço e sabia que quando chega se em casa teria muitas resposta e justificativas para dar. Correu por dois quarteirões e já não conseguindo empurrar o ar para dentro dos seus pulmões ele chegou a sua residência. Um apartamento simples, na portaria um velho senhor que desde pequeno sempre lhe tratará muito bem e era foi um ótimo conselheiro amoroso quando André tinha por volta dos seus quinze, ou dezesseis anos e vivia vários romances intensos e paixões de minuto a, literalmente, cada minuto.
Passou por ele correndo, dando tempo para simplesmente o cumprimentá-lo.
- Boa tarde, André - dizia lentamente.- Há uma correspondência para o senhor.- Mas foi inútil dizer aquilo pois André não havia parado para esperar o elevador. Mas sim subiu correndo pelas escadas.
Chegando ao seu apartamento. André já estava todo molhado de novo. Agora pelo suor. A mãe de André a Dona Isabela Medeiros, conhecida por todos como Dona Bela, saiu de um cômodo a direita da porta. Com um avental e óculos de lentes grossas e com uma expressão de preocupada para socorrer o filho.
- O que houve querido? Onde você estava? - se aproximando, filho e secando a testa dele com o avental que estava preso na cintura. - Sente-se filhinho, Dona bela vai trazer uma água bem refrescante e uma comida deliciosa e você vai me contar o que houve.
Sua mãe sempre tratou como uma criança mimada. André adorava. Pelo menos dele sabia que ouvira os aplausos, mas Não como Lisarb.
Aconchegou-se no sofá e pegou o controle remoto. Juntou um pouco mais de ar para dentro de seus pulmões ainda meio vazios e por fim ligou a televisão para ver o que passava no noticiário da tarde. E é claro mais uma vez Lisarb estava na mídia. André sorria muito satisfeito ao ouvir os elogios e as criticas e sorriu mais ainda quando viu sua mãe lhe entregar um prato de arroz, feijão, bife e batatas fritas. UM CLÁSSICO e também seu favorito.
Enquanto saboreava sua comida, sua mãe, Dona Bela, já preparava seu interrogatório. Queria e tinha direito de saber onde o seu filho estava e por que havia chegado atrasado correndo exausto.
- Dé, filhinho. Como foi a aula hoje? - perguntou ela para começar conversa.
- Muito boa mãe. A minha turma é muito aplicada. Não preciso me estressar com eles. - Falava André dando garfadas enormes e colocando quantidades absurdas de comida na boca - Amanha é que e o dia ruim. Não gosto de dar aula naquele colégio. Não me pagam e a turma é o caos.
- Sim, sim filho. Mas mudando de assunto. Por que demorou? Liguei lá pro curso e eles falaram quem não te viram.
- Estava no banheiro. Dor de barriga. - sorriu André marotamente.
- André desde aquela sua viagem você tem agido muito estranho.
- Estou bem mãe. - respondeu com um tom meio inquieto - Só não devia comer besteiras na padaria ao lado do curso.
Dona bela se levantou com muito desagrado.
- Antigamente você me contava às coisas que acontecia em sua vida. Agora fica cheio de segredos. Se ficar assim com sua namorada também ela vai te largar. E eu vou dar r...ela...fi..
A voz foi se perdendo na distancia assim como o sono vinha e subitamente André se vê envolvido por uma atmosfera tranqüila, relaxante. Virou a cabeça para o lado e Pulo para fora do sofá de susto! Virá ele mesmo sentado do seu lado só que com cabelos escuros, roupa colante ver com detalhes amarelos e a capa azul.

- Não pode ser verdade eu não posso ver você, pois você sou eu. - Fala já exaltado tentando se levantar do chão.
- Ele não é você. - Disse uma voz muito calma atrás de André. - Ele é Lisarb. E você sabe disso.
- O senhor aqui!? - O que está fazendo aqui?! - Agora André mais exaltado que nunca.
- Sente-se. André. Só vim conversar sobre o mau uso dos seus poderes. Já havia lhe advertido de minhas aparições. Ou não se lembra daquele dia que eu salvei sua vida e você topou dar parte de sua alma para a mãe terra? - Dizia o senhor se sentando na poltrona ao lado esquerdo de André. Enquanto Lisarb ainda estava imóvel a sua direita repartindo o sofá com ele. - Seu treino começa agora.
CONTINUA...
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