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Ainda assustado André não consegui achar as palavras. Foi então que o senhor muito bem aconchegado na poltrona voltou a falar.
- Você usou seus poderes incorretamente Sr. Medeiros. Dizia o velho apertando os nós das mãos uns contra os outros.
- Como assim!? - Respondeu André que parecia acordar. - Eu usei os poderes para ajudar a quem precisa-se. Não era esse o propósito dos meus poderes?
- Você ajudou. Sim ajudou. Mas não com o propósito de ajudar. Mas sim com o propósito de aparecer. Estás sendo movido pela fama, não pela solidariedade.
- Mas a fama veio até mim, eu não busquei.
- Não buscou, mas quando se viu tocado por ela começou a procurá-la. Pensa que eu não sei da sua frustração por não ouvir os aplausos daquele salvamento espetacularmente exibicionista? - Dizia o senhor não identificado se ajeitando na poltrona. - Eu consigo sentir o que você sente. Você não é o primeiro a assumir tal cargo. Mas quero que seja o ultimo. Feche os olhos. - E com um gesto largo com as mãos os olhos de André foram se fechando e uma nuvem branca foi tomando toda a sala. Quando abriu os olhos ele se viu em um lugar muito claro com outros "Lisarbs".
- Quem são eles?
- Outras edições de você. - Dizia o velho sorridente.
- O que houve com eles?
- O que você acha morreram em serviço e pela honra.
- Eu não quero morrer.
- E não precisa. Falei que queria que você fosse o ultimo.
- Você deve dizer isso para todos, né?!
- HOHOHOHO. Digo mesmo rapaz, digo mesmo. Espero estar certo desta vez.
A galeria tinha "Lisarbs" de montão, de perder de vista. Várias variações de uniforme e pessoas. Velhos, jovens, crianças e até animais. Quando mais andava pelo mostruário bizarro ele se perguntava se o velho estava ali para colocá-lo como mais uma peça daquele museu de super-heróis. Com o tempo André reparou em algo constante. Todos os ex-lisarbs possuíam um buraco quase no meio do peito. Um pouco mais para a esquerda. Um buraco de se ver através dele. André começou a sentir um aperto no peito justamente onde estava o medalhão.
- Calma, calma André. - disse o senhor tirando os óculos para limpar na sua roupa. - Você ainda não vai para nessa sessão.
- Ainda?! Exclamou André assustado, tendo como resposta uma risadinha fraca do senhor.
Mais adiante André viu um altar vazio, ele logo pensou que aquele deveria ser o dele, mas ao olhar para a cara de espanto do velho deduziu que não.
- Ele se libertou. Dizia o velho fraquejando em seus gaguejos...
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Não muito longe do edifício onde André morava. Um namorado recebia a namorada na portaria. Ele estava branco gélido quando chegava ao hall enquanto ela estava apavorada nas grades do portão.
- Amor. Quero lhe mostrar algo. - dizia ele com uma animação e entusiasmo totalmente diferente do que seu corpo mostrava.
- O que foi amor o que houve?
- Fique ai e observe. - disse rapaz interrompendo a namorada sem mesmo notar que estava muito aflita.
Foi então que ele caiu de joelhos no hall. Começou então a um sangue muito vermelho a escorrer pelas suas cosas manchando a camisa e pingando no chão. Mesmo aquilo tudo parecendo doloroso ele parecia sentir prazer. Foi então que o hall do prédio que estava vazio foi se enchendo, mas não de pessoas. Mas com duas asas, grandes, negras e toscas rascaram a camisa e ocuparam todo o hall de entrada. Pareciam ser feitas de algum tipo de pedra só que tinha a flexibilidade quase igual de uma asa de carne e osso.
Então que ele olhou para sua namorada e viu que ela se encontrava desmaiada. Sem entender o porquê de não se preocupar com ela, ele deu um pulo se lançando ao céu em alta velocidade.
Continua...
segunda-feira, 10 de março de 2008
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Um comentário:
Lembro de ter lido esse post há alguns meses, ainda no antigo site, e me chamou a atenção à homenagem à era de prata dos quadrinhos de super-herói, com as 'versões' múltiplas dos personagens, e universos paralelos. Como em Supremo, fábula do Alan Moore sobre a essência do Super-Homem nos anos 50.
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